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A Alemanha continua me surpreendendo de várias maneiras. Eu já falei dos cães e seus donos nos mais diversos lugares e queria apontar mais algumas pequenas coisas, como o fato de haver comida pronta que vem em caixa e não é vendida na parte dos refrigerados, nem nada. Simplesmente fica lá e quando tirada da caixa, está em boas condições, só devendo ser esquentada. 
Outro ponto bastante interessante é a grande quantidade de estrangeiros que domina o lugar. Não é raro ouvir turco, espanhol ou russo pelas ruas – ou ainda, ouvir alguma espécie de inglês praticamente ininteligível. Não raro as pessoas também fazem perguntas em um alemão muito esquisito, o que as condena e faz aparecer "Gringo" nas suas testas. Por fim, o episódio mais surpreendente da minha pequena estabilidade cultural brasileira aconteceu no mercado – adoro visitar mercados de outros países, caso não tenham percebido ainda. Após comprar uma parte do almoço, maionese, um pacote de cookies e algumas outras porcarias, cheguei ao caixa e o montante a ser pago era em torno de 4,81 euros. Para facilitar, dei uma nota de 5 e corri para guardar as compras, porque aqui guardar as compras é algo sagrado e que deve ser feito o mais rápido possível antes que a atendente do caixa e o próximo cliente comecem a te olhar com cara feia. Para o meu indescritível espanto, a atendente me fez um pedido que pareceu tão sem sentido para o meu alemão meio fajuto que fui obrigada a repetir “Wie bitte?”. Então, ela repetiu: “Você não tem uma moeda de um cent para facilitar o troco?” e eu continuei com cara de boba, “ou talvez 11 cents?”. Lá fui eu procurar um cent no porta-moedas e fazer a atendente mais feliz ao receber em mãos a moedinha. 
Com o troco dado, as compras amassadas na mochila e um bombom Kinder Ovo, voltei para casa.
Escrito por Alguém perambulando... às 20h06
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Alemanha - Düsseldorf
Uma semana em Düsseldorf e, mais uma vez, fica fácil perceber como muita coisa é diferente. Como alguns sabem, o meu motivo de viagem é o estudo e a minha primeira semana foi, basicamente, para resolver todas as burocracias relacionadas às aulas, a como chegar nas aulas enfrentando a chuva maluca que insiste em cair todos os dias desde que cheguei e enfrentar o fato de que, sim, o dia parece passar muito mais rápido aqui – considerando que amanhece por volta das oito e meia e escurece por volta das quatro.Ao contrário do que eu esperava, o inverno tem sido muito ameno e nenhuma vez houve temperatura negativa. Não tenho olhado muito as previsões, mas acredito que a média de temperatura tem sido uns 5ºC, o que me faz largar muitas roupas sem serem usadas. 
[A tarde em D-dorf) Depois dessa primeira semana, fiquei sabendo que a rua em que as pessoas fazem compra é realmente gigantesca – Königsallee, se vocês tiverem vontade de saber – e que muita gente rica mora aqui. Ricos, em geral, mesmo. Também nunca havia visto tantos cachorros levados em coleiras, seja na rua, dentro das lojas de grife ou da padaria(!), houve inclusive menções dos próprios professores com quem tenho tido aula que isso é algo comum para as dondocas de D-Dorf. Por falar em padaria, soube também que há uma padaria para cães na parte velha da cidade e passei por lá; é dispensável dizer que certamente um biscoitinho para o cachorro deve ser mais caro do que o pão de forma de 0,49 cents que comprei para o café da manhã. Outra coisa que foi fenomenal foi uma tempestade de manhã – sim, no horário de ir para aula. Eu, com meu guarda-chuva brasileiro, colorido e com desenho de praia, fui até a porta do prédio e vi que havia placas de gelo no chão e que o vento levantava tudo que era possível, além da chuva parecer levar tudo que era possível. Discutindo sobre a possibilidade de a chuva ser um bom motivo para não ir à aula, acabamos nos aventurando nesse... dilúvio. Ainda na rua de casa, meu pobre guarda-chuva brasileiro, que na verdade, era da minha mãe, foi sendo destruído aos poucos, embora rapidamente e, eu me vi correndo, com uma mão no pano do guarda-chuva, tentando bobamente me proteger da chuva e outra tentando segurar o dito cujo, que virava no avesso e queria sair voando. Chegando na escola, encharcada dos pés à cabeça, com um casaco que não era impermeável, descobri que, de fato, não era um motivo racional para falta: todos os alunos tinham comparecido. 
[guarda-chuva brasileiro pós-chuva alemã] Outra coisa que ainda me espanta é o preço, ou melhor, o euro. Segundo um amigo meu, “quem converte, não se diverte”. Por isso, não tenho me divertido tanto assim, embora meus gastos, até agora, tenham sido com comida, transporte, um casaco – não queria mais me molhar – e algumas atividades da escola. O que fica bastante nítido é que comer em casa é muito mais barato do que na rua – um pacote de macarrão Barilla, que pode vir a custar mais de cinco reais, aqui custa uns 60 cents -, ainda que eu tenha a possibilidade de comer no bandejão da universidade, que sim, merece um outro post. Todo mundo tem falado que converter não é possível, é como se 1 real tivesse que ser um euro, porque esse é o estilo de vida das pessoas que moram aqui, seria mais ou menos como discutir qual é a margem da pobreza na Alemanha e qual é a do Brasil. O texto já ficou meio grandinho, então mais impressões vêm em breve.
Escrito por Alguém perambulando... às 17h45
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Retrospectiva[?] 2011
Aqui estou eu, em mais um final de ano, ainda postando no blog. Para começar a retrospectiva desse ano muito maluco, enquanto no último post do ano passado eu falava sobre coisas que me inspirariam, da falta de saber o que fazer pós-término de faculdade e da minha primeira viagem internacional, o ano que termina agora tem um acúmulo de funções e viagens que eu nunca imaginaria: cerca de quatro ou cinco empregos, boa parte deles mantida ao mesmo tempo e a fronteira de dez países foi cruzada ( considerando que estive em 9 países em 20 dias). Nada disso eu imaginava em dezembro de 2010. O que se encerra agora foi um ano de descoberta, de provocação, de se perguntar a todo momento o que é que valia a pena. Muitas perguntas continuam em pé, mas considerando tudo que aconteceu, parece muita coisa em tão pouco tempo. Não enumerarei nada aqui, entretanto pensei a todo momento que o blog ficava desamparado. O ano foi tão anormal que o espaçamento entre uma escrita e outra foi se tornando gigante e não consegui mantê-lo, um pouco porque não queria a obrigação de ter que escrever e, muito, porque percebi que isso tinha se tornado uma obrigação, quando eu fazia antes por prazer. A ideia principal, que não sei se conseguirei cumprir, é ter uma vida que não beire a loucura e o colapso nervoso, dois sintomas presentes neste final de ano. Acredito que, desse modo, talvez tudo comece a se encaminhar e o desejo de escrever esteja presente e seja concretizado – muitas foram as chances que perdi ao não escrever sobre determinado fato. Amanhã parto para mais uma aventura fora do país, minha primeira bolsa de estudos. O país, a Alemanha, já teve sua fronteira cruzada em julho, mas agora são 6 semanas, espero, de muito aprendizado, diversão e novos conhecimentos (em alemão, bitte!) 
[e que venha o fim do mundo!]
Escrito por Alguém perambulando... às 09h25
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Escrito numa segunda, postado numa quarta.
Segunda-feira costuma ser aquele dia que ninguém quer muito viver por ser sempre o início da semana de trabalho/estudo/[insira o que quiser], o que por si só deveria envolver alguma contradição para a receita da felicidade, mas esse não é o assunto de hoje. A segunda-feira geralmente começa sempre do mesmo jeito e, tirando mais uma noite de insônia que começou no domingo e gerou um amanhecer já acordada, tudo começou da mesma maneira: acordar, tomar café, vestir-se, sair para o trabalho. Ah, o sol também estava anormalmente quente. Foi então que tudo começou a acontecer. A segunda-feira teve conversas inesperadas com pessoas em cargos superiores, conversas simples, coisas banais, mas senti que eu andava precisando disso. Não é porque é segunda-feira que a gente não precisa conversar, não é? Então uma conversa banal pode ser importante para o seu dia, você pensa. Pois é, uma conversa banal numa segunda-feira que provavelmente estará esquecida já na hora do almoço de terça. Mais tarde, você percebeu que a segunda-feira era de botar o papo em dia, mesmo que houvesse somente 20 minutos, e a conversa fosse pelo computador. Eu também precisava disso. Jogar pro ar aquilo que me perturbava [e ainda perturba].
A tarde da segunda-feira tinha gosto de despedida e incluía muitas imagens, desde avião até crianças que talvez nem se lembrassem de mim no ano seguinte. Despedidas são sempre esquisitas, principalmente quando talvez não exista o ‘até logo’, mesmo que sejam de pessoas não muito próximas. Era uma partida na segunda-feira, no primeiro dia de trabalho, de estudo, ____ (insira o que você quiser) da semana.
E quem diria que a minha segunda-feira incluiria ainda um tarado em pleno meio da tarde. No meio daquela tarde quente, um trabalhador recém-saído de sua empresa resolveu brincar com seu aparelho em plena via pública, quando há 2 metros dele estava uma família. Foi então que nessa segunda-feira você começou a pensar na sua segurança, não só para a segunda-feira, mas para todos os dias. Se um sujeito desses está por aí exibindo o que ele[acha que] tem bem no meio da tarde, perguntei-me o que mais ele fazia. Por mim, poderia andar nu, que importa? Mas o que será que ele andava fazendo em outras segundas? Ou terças? Ou sábados? Será que só mostrar era suficiente?
Por fim, minha segunda se transformou num caos em plena rodovia, quando, já esquecida de muitos acontecimentos da segunda-feira, em minha mente se encheu a beleza de ver o céu claro e iluminado pelo sol do meu lado esquerdo, enquanto a chuva mais torrencial que vi nas últimas semanas caía em uma só direção, sem que nada fosse enxergado através dos para-brisas de quem estava na direção, naquele fim de tarde do primeira dia da semana que começava. Fiquei pensando o que mais aconteceria para se misturar àquela minha ânsia de abandono, raiva, tristeza, maravilhamento, descaso, incompreensão. Talvez estivesse apressada demais. Afinal, ainda era segunda-feira...
Escrito por Alguém perambulando... às 08h54
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O Ano Novo
[Não, você não está adiantado demais] Passou 20 anos tendo uma passagem de ano muito normal, em casa, sem festejar, vendo os fogos de artifício em lugares que nunca esteve, na tevê. Às vezes via na rua, porque havia um clube que ficava perto de sua casa. Sempre desligando a campainha e a luz da sala para que as crianças não vissem que havia alguém em casa e pedissem “Bom princípio”. Alguns desses anos também passou dormindo, de mau humor ou bom humor, sempre a mesma coisa, mentira. De repente, no vigésimo primeiro ano passou o ano em casa. É. De novo. Mas tudo seria diferente no primeiro dia do ano, embarcaria em um vôo de 15 horas e ficaria presa parte de um dia e uma noite toda em um país cuja língua não falava. Então, na iminência do vigésimo segundo ano novo descobriu que passaria o Reveillon dentro do avião, ou seja, uma virada do ano seria no ar. Por causa disso, seus pensamentos revolvidos a guiaram através do que aconteceria em tal situação. Sem saber bem qual é o horário, no meio do oceano, que horas comemorar a tão esperada passagem de ano? Comemorar com mais uma ou duas ou três pessoas ao seu lado ou com toda a fileira do avião? Enquanto isso, provavelmente um cara dorme, o outro vê um filme e uma criancinha se diverte com o controle da tevê? Será que há algum menu especial? Champagne francês da melhor qualidade? Será que melhor comemorar no horário do país do qual ela saiu ou no horário do país para o qual estará indo, que é só o país da conexão? Por um segundo, imagina todas pessoas se levantando e querendo felicitar os que estão ao redor, comemorando, imagina ouvir também o barulho fatídico do “estamos passando por uma turbulência, apertem s seus cintos” soando em meio a pessoas querendo dizer “Feliz Ano Novo” para um desconhecido; já outras amaldiçoam o fato de terem escolhido o tal vôo que estaria no ar quando o ano fosse de 2011 para 2012. Lá no meio de todas essas pessoas, provavelmente estará lá, contanto que não perca o vôo, sentindo-se deslocada em meio à enigmática passagem de ano, bastante inesperada, seja como for, só por não estar em casa. De qualquer maneira, estará, como boa parte das pessoas, se perguntando o que é que o ano bissexto lhe trará, sem acreditar muito no fim do mundo, desde que a viagem aérea não se prolongue muito. Pensará ainda nos próximos dois meses que vai viver bem longe de casa e nos outros dez em que estará tentando entender o que é que está havendo em sua vida.
Escrito por Alguém perambulando... às 23h40
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Expectativas? Me vê uma, por favor... to atrasada.
Não importa quantas vezes eu diga que não crio expectativa. Não sei se o ditado que diz que mente vazia é oficina do diabo procede, mas tudo que não havia existido até agora passou a ser. E aí a gente pensa, será que é tão ruim assim? [ó lá, criando expectativa de esperar?] Se não criássemos em nossa mente tudo que queremos ser, o que é que haveria? Fico aqui pensando que não muita coisa. O próprio ser humano desconstrói o sentido de ter esperança e planejar? É ele mesmo que ferra com a expectativa de um outro ser humano. Só que mesmo cansados de tentar, lá vamos nós de novo.
Escrito por Alguém perambulando... às 21h45
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"'Everything changes, but nothing is truly lost.'" ~ Dream ("The Wake")
Uh, já faz tempo. Venho aqui depois de mais um período de seca e em que praticamente mais um semestre [ao menos o que chamamos de semestre acadêmico] acabou. Não sei bem o que houve, meu aniversário passou, não parece que muita coisa mudou, porque é como se eu me sentisse a mesma desde fevereiro [o aniversário foi em maio]. Mas essa ‘mesmice’ – e não é que o sufixo –ice é realmente pra representar algo ruim –às vezes parece muito com uma instabilidade colossal. Demorei algum tempo para tomar várias das decisões que tenho muito bem estabelecidas agora, mas muitas delas não parecem ter saído do lugar, embora tenham entrado no que poderíamos chamar de milk-shake cerebral, o que pode ser interessante – apesar da idéia de milk-shake largado no copo por uns três dias não me agradar muito. O meu aniversário de 22 veio como uma bala e tirando um momento desde então – no qual me perguntaram a minha idade e eu falei errado -, praticamente nem lembrei que ele existiu, porque de um mês pra cá não muito mudou. É claro que eu não esperava mudança, porque eu cuidei de todas elas no decorrer dessa semestre: arranjei dois estágios, finalmente entrei em uma sala de aula, arranjei um bico, me inscrevi para algumas coisas, participei de outras, acreditei em algumazinhas. Não vou citar mais, porque acredito ser melhor não antecipar coisas das quais não se tem certeza. O ‘finalmente’ ali de cima é como se eu estivesse esperando por isso. Acho que não estava, mas fiquei surpresa. É cativante a minha capacidade de ainda me surpreender com algumas das minhas próprias escolhas, principalmente da revolta adormecida que ressurge forte. Por mais que muita coisa na minha vida toda tenha mudado, muito ainda continua igual. E muita coisa mudou tanto que parece que ficou escondidinha numa minúscula caixa em que as sinapses não chegam mais... A minha essência sempre continua a mesma, mas tudo que decorre dela e das experiências que vivo por aqui vai se transformando. A minha mesmice vai se tornando variedade, girando, girando, trazendo de tudo um pouco.
Escrito por Alguém perambulando... às 23h19
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Crianças
Meu dia hoje foi repleto de crianças. De indagações. De prontidão para fazer aquilo que eu mandasse. De revolta por ter de fazer aquilo que eu mandasse. Iniciei meu segundo estágio do semestre numa escola de japonês, mas, não é hoje que falarei dessa experiência. Ao chegar na minha casa, às vezes brinco com as filhas do dono da casa – explicando, eu moro nos fundos de uma casa de uma família chinesa-, mas devido a dois estágios, um bico e a faculdade, acabei ficando meio sumida até da minha própria casa, que só recebe minha presença por ter uma cama. Voltando ao assunto, eu passei quatro horas com crianças, primeiro japonesas, numa hierarquia explícita de “professora” e, depois, com crianças chinesas, numa hierarquia meio nebulosa que se estabelece somente pelo fato de eu saber ler e escrever. E só. E isso me encanta de um modo muito particular – assim como falarei de um outro encantamento causado pela escola de japonês, e outro momento. Tirando a hierarquia ler-escrever, o que me sobra é ficar escolhendo as minhas preferências por todo o tempo: qual princesa eu gosto mais, qual cor, qual menininha desenhada no caderno, qual lápis de cor, Hello Kitty ou Barbie. E como é difícil fazer uma menina no auge dos sete anos acreditar que Harry Potter não é coisa de menino. Entre uma letra ‘a’ e uma tentativa frustrada de escrever ‘sorvete’ – que causa muita, muita revolta numa criança, principalmente quando você não quer soletrar as letras, mas sim que ela perceba que as sílabas e os sons têm alguma correspondência no nosso louco português. Ha! Vai dizer que não é coisa de lingüista achar a coisa mais linda do mundo uma menininha ter escrito “SVET” no lugar de “SORVETE” –, ela teve a idéia de fazer uma carta para mim. O interessante disso tudo é que a carta era, na verdade, um envelope, já que ela queria fazer um envelope e colori-lo e nem tinha pensado o que é que carta realmente significava. - O que que você vai colocar dentro desse envelope? Ela olhou pra mim com uma cara de não-sei-não, enquanto pedia que eu escolhesse quatro cores diferentes para que pintasse o envelope. Enquanto ela pintava, a irmã menor veio chamá-la para ir embora, pois já era muito tarde. Como ainda faltava pintar um quarto do envelope, falei: - Ei, termina de pintar e depois você me dá a carta, tá? Quero só ver o que você vai colocar dentro. - Então eu termino em casa e depois coloco ali – apontando para o vão debaixo da porta do meu quarto e fazendo isso parecer uma promessa. Elas foram embora e eu me perguntava quantos milhões de coisas teria que resolver no dia seguinte e já preparava uma lista de afazeres – sim, problemas de memória- quando ouvi um barulho embaixo da porta e vi que a minha carta tinha sido entregue. Percebi que havia alguém ansioso do outro lado, mas não me movi. O tempo meio que parou, enquanto eu esperava e também sentia a espera e a expectativa. Cinco segundos. Dez segundos. Uma batidinha de leve na porta, ao que eu respondi “Peraí” e guardei minhas coisas no armário. Ao abrir a porta, ninguém. Minha carta continuava lá. Pintada com giz de cera, havia verde, laranja, rosa e um verde-rosa, causado pela falta de ponta do lápis verde. Dentro, havia uma folha de fichário, dobrada em três. De ponta cabeça estavam três corações de uma menina de sete anos, um embaixo do outro e centralizados na folha, feitos também a giz de cera rosa, só com o contorno. Embaixo do segundo coração, estava o nome dela.
Escrito por Alguém perambulando... às 17h28
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Passagem
Agarre-se às pedras ainda frias, brinca com seus dedos delicados. Espectadora do que foi e começou atriz fantoche de cada segundo, um transe. E os pássaros a despertam.
Marca a ferro, sua pele na qual reflete o estigma capturado pela mistura azul e branca, um caderno de desenho contemplado por muitos verões.
Estragada pelo toque, o olhar e sua falta. Não reconhece suas tatuagens e o inferno se tornando fresco. Partida. Pontos. Cargas gastas. Cadernos monstros iluminados na sua escuridão.
Já é madrugada. A mesma criança ou a mesma velha? Numa hora qualquer, só inscrito, escrito, cravado, gravado. Mais um dia.
Escrito por Alguém perambulando... às 12h16
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Bizarrices culinárias da Ucrânia - parte II
Por incrível que pareça e, não achei uma boa solução para isso, o chocolate em pó é mais barato que o achocolatado [Nesquik], mas vale ressaltar que há algumas marcas fajutas que também sirvam ao propósito. E Nesquik só tem sabor chocolate... :(: ( Tem um fast food da Armênia, muito popular lá, que vende um tipo de lanche feito com pão sírio chamado shaurma. Apesar de não ser ucraniano, foi, de longe, a comida que mais gostei durante toda a minha estadia. Ele lembra um pouco o churrasco grego, o lanche era gigantesco e custava, convertendo a moeda, cerca de 3,50. 
Os doces não me surpreenderam muito, tirando o fato de que pão doce lá só tem doce em cima e não tem recheio nenhum, também [deve haver algum problema com o conceito “recheio”]. Comi, também, o doce abaixo, mas nem lembro o nome. Existe pra vender em qualquer mercadinho e tem um gosto que lembra amendoim e... areia[?]. É esquisito, bem esquisito, mas valeu a pena experimentar. 
Por fim, quero dizer que lá não tem suco de maçã vermelha, nem de uva roxa, mas sim de maçã verde e de uva verde. Ah, também tem suco de romã. Sim, de romã! E era um negócio divino, o melhor suco que já tomei. Chega de falar de comida...
Escrito por Alguém perambulando... às 11h37
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Bizarrices culinárias da Ucrânia - parte 1
Este é um texto que já deveria ter sido escrito na semana que cheguei da Ucrânia, mas por motivos relacionados a tudo dar errado na volta à vida normal e ao encontro das fotos, só estou pensando na culinária ucraniana hoje. Vou escrever sobre produtos que se mostraram ligeiramente diferentes dos que temos aqui. Por exemplo, batata chips. Não que esperasse encontrar batata sabor “churrasco” lá, mas também não esperava encontrar sabor creme azedo e ervas. Creme azedo é um produto que eles usam bastante, colocam em sopa [no Borsch, por exemplo] e também no Varenyky, que é uma espécie de pastel/capeletti cozido, sem molho algum, como é possível ver na imagem abaixo. 
Aí eles misturam o creme azedo com o pastel e comem. Ou misturam ketchup, ou maionese. Outra coisa que me impressionou é a grande variedade de ketchup que existe lá, já que eles vêm em embalagens iguais as de molho de tomate, vendidas no Brasil. Mesmo não estando familiarizada com a língua, existia, no mínimo, uns quatro tipos de ketchup. Agora vamos falar sobre mais porcarias comestíveis. Fiquei abismada com a bolacha recheada. Não sei se comprei uma marca ruim [lá tem bolacha Oreo e é a única marca “onhecida”], mas a imagem abaixo é a de uma bolacha recheada: 
Aí me perguntei onde estava o recheio. Poxa! Cadê o recheio? Aí abri a bolacha e achei o recheio:

Ain, tão pouquinho. Parece que sujaram a bolacha e colocaram para vender. Um treco louco pra caramba. Vamos falar de mais um sabor de salgadinho exótico agora, sabor “cogumelo”. Acho que já falei que a base da alimentação aqui é a batata e o cogumelo. Eu comi o tal do Varenyky com recheio de batata e cogumelo, comi um tipo de salgado com recheio [e, de novo, me perguntei, “cadê o recheio?”] de batata e cogumelo e outras coisas mais, sempre com batata e cogumelo. Fui a restaurantes ucranianos e pude escolher entre duas variedades de cogumelo e muitos tipos de preparo de batata. Portanto, quando vi o salgadinho sabor “cogumelo” achei bem... comum. Mais comum que, por exemplo, a pipoca sabor “cerveja” [sem brincadeira!]. Por falar em pipoca, não existe milho para fazer pipoca, só pequenas embalagens que já vêm com a pipoca pronta.

Escrito por Alguém perambulando... às 09h29
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De volta ao Brasil
Finalmente cheguei ao Brasil ontem (16/02), às 7 da manhã. O meu percurso de volta começou às 8 da manhã (04 da manhã, no Brasil) do dia 15. Peguei um trem para a cidade de Donetsk e garanto a vocês que esta viagem de trem foi uma atração à parte. Começou com vendedores de todos os tipos e o mais exótico foi a venda de peixes frescos. Por volta das 9 da manhã, entre um vendedor e outro, ocorreu um briga no corredor, com direito a uma mulher gritando e dois homens se chutando e socando e ninguém, isso mesmo, ninguém, pra apartá-los. Depois que a briga terminou, um dos homens voltou pro seu lugar e continuou tomando sua garrafa de cerveja – 9 da manhã, o horário certo pra tomar cerveja, né. 
O trem pára em muitas estações e é claro que comecei a ficar com medo de perder a estação. Por volta das 11, eu sabia que logo teria que descer. Também foi mais ou menos nessa hora que uma menina de uns 7 anos resolveu olhar pra mim pela enésima vez, com a diferença de que desta vez eu estava pegando uma bala. Ofereci uma bala pra ela e pro irmãozinho dela e eles aceitaram. No fim da viagem, a avó deles quis me agradecer, mas ela, obviamente, começou a falar em russo. Expliquei que não falava russo, que era brasileira. Ela quis saber se eu ia pro aeroporto e assenti.De repente, ela começou a gritar com um moço que também estava no trem e, imediatamente ele começou a levar minhas duas malas pesadonas pra fora e também a ajudar com a bolsa que a vovó trazia. Ainda falando com o moço, ela pedia pra ele chamar um táxi e eu dizia que não precisava, pois alguém já me esperava lá. Sorte que pra resolver o mal-entendido, por volta do meio-dia chegou o menino que iria me buscar. Como meu vôo só sairia às quatro da tarde, fomos para o aeroporto e ficamos lá esperando. Achei que teria que esperar sozinha, mas o menino ficou lá comigo e foi como se eu já conhecesse ele há bastante tempo, pois conversamos sobre uma infinidade de coisas: Brasil, Ucrânia, política dos dois países, viagens, carreira, dinheiro, vida e, no fim, ele já tinha consigo as receitas de brigadeiro e de beijinho. Peguei meu vôo com destino a Munique e cheguei lá 3 horas depois. O céu estava com muitas, muitas nuvens e só vi o chão quando o avião deu um tranco e estávamos pousando.
 A Alemanha tem uma diferença de horário com a Ucrânia de uma hora e, ao chegar às 19, ainda eram 18 horas. Eu tive mais 3 horas para sassaricar no aeroporto, ver todas as lojas duty-free e começar a pensar como pagar em euro é uma tristeza – comparado a pagar em gryvna [dinheiro da Ucrânia], já que um real vale 5 gryvnas. Comecei a cogitar em morar no aeroporto também, porque em cada portão de embarque havia diferentes nacionalidades e eu poderia aprender bem mais rápido como falar japonês, alemão ou qualquer língua cujo país tenha vôos regulares. O portão do Japão era uma atração muito curiosa e não tinha ninguém que não fosse japonês indo pra Tóquio.
 Entrei no avião para São Paulo e partimos quase às 22. No avião, muitos estrangeiros, desde família brasileira que morava em outro país e voltava pro Brasil depois de muito tempo a atletas do Uruguai. Ao contrário do vôo de ida, neste avião minha televisão funcionava e assisti três filmes. Ao contrário do vôo de ida, praticamente não houve turbulência e foi possível dormir – isso não vale muito pra mim, mas eu dormi duas horas e não fiquei achando que o avião ia cair a todo instante, como ocorreu da primeira vez. Às sete da manhã, cá estava eu no Brasil, conversando com um cara brasileiro, que mora na Grécia, esperando ansiosamente que nossas malas não tivessem extraviado. Deu tudo certo, no final. Voltei pra casa comendo bisnaguinha [não tem na Ucrânia] com presunto [não tem na Ucrânia], pão de queijo [não tem na Ucrânia] e bolo de cenoura [não tem na Ucrânia]. O fato é que eu vou sentir falta de tudo que tive lá e de todos que preencheram minha vida tão bem.
Escrito por Alguém perambulando... às 15h26
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Viagens
Meu tempo aqui na Ucrânia está acabando e foram muitas as coisas que aconteceram e que renderiam muitas postagens [que não aconteceram, obviamente]. No último final de semana, por causa da quarentena nas escolas [é, o fato de haver muitas pessoas com gripe gera a medida de fechar as escolas quase todos os invernos], eu e os outros estudantes que estão aqui fomos viajar pelas redondezas. A maioria das pessoas daqui viaja de trem, porque as viagens costumam ser longas, entre ma cidade e outra. Para fazer o percurso de Mariupol até Dnipropetrovsk, cerca de 320 km, viajamos de ônibus, por 6 horas. Minha primeira surpresa foi perceber que um ônibus que viaja cerca de 6 horas não tem banheiro e, vale ressaltar que 6 horas é só a metade do caminho completo do ônibus. Decidindo que já estávamos longe o suficiente, pegamos um trem de Dnipropetrovsk até Odessa, cerca de 650 km e viajamos durante 11 horas. Os trens da Ucrânia vêm com camas, justamente por causa da duração das viagens. Achei uma imagem, encontrada no blog descrito na imagem, que mostra exatamente como o trem é. Apesar de não ser possível ver na imagem, atrás da pessoa que tira a foto há mais duas camas que ficam na janela. No início da manhã, se o passageiro desejar, paga 2 gryvna por um chá ou 5, por um café [bem ruim, por sinal]. Todas as pessoas que vieram até Mariupol de ônibus, reclamam do trem, mas, sinceramente, achei tolerável, principalmente se não for necessário viajar sozinho e não houver nenhum tarado ou bêbado ao seu lado – ouvi alguns relatos parecidos. Para voltar a Mariupol, mais 650 km percorridos de ônibus, ou seja, 12 horas, porque não há trens que vinham direto. Das quatro noites que passei viajando, duas delas foram em trânsito, e a melhor delas foi a noite no trem, pois pude dormir melhor, apesar de grande parte da viagem ser acompanhada por roncos tão altos e esquisitos que eu nem pensei serem possíveis de ocorrer, mas que o cara ao meu lado conseguia produzir.  Em outra noite, dormiram 6 pessoas num mesmo pequeno quarto, colchões infláveis defeituosos no chão, sofá-cama lotado com três pessoas. Uma pessoa ainda dormiu em outro cômodo, em cima da mesa. Isto tudo foi logo após chegarmos na primeira cidade. Minha segunda noite foi na casa de um completo estranho. Algumas pessoas oferecem moradia de um dia para viajantes e pessoas indicadas pela AIESEC, de modo que conseguimos um homestay e eu e mais três meninas chinesas fomos para a casa de um cara desconhecido, sem saber se ele tinha água quente no banheiro ou se tinha camas suficientes. Deixando a desconfiança de lado, a gente aprende que tem realmente pessoas legais nesse mundo, principalmente quando elas te oferecem conselhos de viagem, chá, café da manhã e ainda te mostram todas as fotos das viagens incríveis que fez. Já a quarta noite foi no flat de mais 5 estagiários, com direito a uma festa que não participamos e bêbados chamando a gente de madrugada. Tirando isso, o flato era muito, muito, muito moderno, perto do flat que moramos aqui.
Isso é só um pouquinho do que tenho para contar por hoje. 

Escrito por Alguém perambulando... às 17h36
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Tive que vir à Ucrânia para saber que:
- existe um banheiro sem pia dentro do apartamento. Aqui só tem um vaso sanitário no banheiro; - eu odeio chá; - banho de banheira é muito esquisito, principalmente quando se tem a sensação [e algumas vezes é possível comprovar isso] de que a água quente não é tão limpa quanto a água fria; - frango vendido como peito de frango no mercado ucraniano é pura carcaça; - preparar culinária brasileira aqui na Ucrânia é muito difícil, se não ela falta de ingrediente, pela falta de utensílios no flat. O feijão da Ucrania vem dentro da água. Não achamos presunto ou mortadela pra comprar. Não tem Nesquik de morango aqui, nem mostarda. Os vegetais e frutas são caros, por causa da estação. Não achamos coco também, nem industrializado, nem com as frutas. Não há forminhas para doces, nem chocolate granulado; - sinto falta da comida que podia comer no Brasil, como doce de leite, pão de queijo e esfiha; - encarar pessoas bêbadas e conviver com elas é difícil. Principalmente quando você passa ela primeira vez pela situação de ter que ajudar alguém passando mal por ter bebido; - neve molha a roupa e quando derrete, vira uma lamaceira; - as festas ucranianas podem ser bem diferentes e envolver jogos esquisitos que te dão prêmios como chaveiros e balas. 
Feijão ucraniano
Escrito por Alguém perambulando... às 07h24
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Primeiras impressões na Ucrânia
Ao contrário do que eu esperava, meu dia de Tom Hanks não teve nada de Hanks, talvez só de algum outro Tom [o Cruise, por exemplo]. Quando eu peguei meu visto e soube que eu chegaria um dia antes do mesmo começar a valer, a primeira coisa que aconteceu foi que fiquei desesperada. Depois de algumas ligações, incluindo umas duas para o Consulado da Ucrânia, fiquei mais tranqüila, sabendo que só teria que esperar até o começo do dia 03 [meia-noite e um] e poderia ir embora do aeroporto. Só não sabia que a minha espera seria tão tenebrosa, muito menos minha chegada na Ucrânia. Depois de praticamente 16 horas de vôo [eu não sabia que voar tanto tempo era tão ruim e chato, principalmente quando a sua televisão, no avião, não funciona] e do tempo da conexão entre um avião e outro, os conferidores de passaportes ucranianos tiveram muita vontade de me mandar de volta para a Alemanha, para esperar o dia 03 [eram 16 horas, do dia 02]. Apesar de não me mandarem embora, graças a um interventor que falava ucraniano, pois eles não entendiam inglês, fui mandada para um hotel ao lado do aeroporto, com garantia de ser vigiada o tempo todo por um guarda, que passou a noite na porta do quarto para garantir que eu não ia fugir ou algo do tipo. A essa experiência é só adicionar a grosseria das pessoas que nem se mostravam dispostas a entender e, bem, vocês terão o resumo das minhas primeiras 20 horas na Ucrânia. Sobre as minhas impressões brasileiras [e de quem nunca tinha viajado para praticamente nenhum lugar] acerca do país, agora que estou segura, na cidade em que trabalharei, e no apartamento: • Os sapatos brasileiros não funcionam muito bem no inverno daqui, ou seja, não traga milhões de sapatos na mala. O mesmo acontece com a maioria das roupas, a diferença é que dá pra colocar uma blusa por cima de outra e uma outra por cima de uma e... temos um estrangeiro na Ucrânia; • Os ucranianos costumam falar ucraniano ou russo [ou uma mistureba dos dois, no caso da região em que estou e que é próxima da Rússia]. E poucas pessoas falam inglês e a minha maior surpresa até agora foi o cara da internet vir aqui instalar uns fios, a vizinha quase mandá-lo embora [em ucraniano] e quando eu falei, desesperada, “Internet?”, ele virou pra mim e disse “Oh, I understand you” e quando esse cara viu meu passaporte, confessou que tinha ido três vezes ao nordeste do Brasil, falando até o nome das cidades. Apesar desta situação, que é uma exceção mesmo, a barreira da língua tem sido uma grande dificuldade, pois acabo dependendo sempre de algum ucraniano amigo para falar por mim [isso incluiu um ucraniano indo até uma lan house para comprar uma hora na internet afim de que eu falasse com a minha família]; • Além das pessoas só falaram em ucraniano/russo [coloco escrito assim porque eles mesmo me perguntem, referindo-se à língua deles, se já sei alguma palavra em russo], 99% de tudo que há nas ruas está escrito em alfabeto cirílico e, mesmo que se aprenda a ler, já diria o Saussure que o sentido e o significante são arbitrários, ou seja, o sentido não vem com a leitura. Mas às vezes vem por causa do conhecimento de alguma outra língua, como alemão; bom, aí a lingüística histórica explica; • Os filmes, nos canais ucranianos, são todos “dublados”, mas, MAS, o som original é mantido e o ucraniano seria colocado “por cima”. Esta situação é o cúmulo da falsidade, porque os dubladores ucranianos praticamente só lêem as frases. Outro dia passava um episódio de Friends em que eu ouvi a Rachel dizer “Hi, Ross” e após esse enunciado, veio o correspondente em ucraniano. Aí vocês podem dizer que isso é bom pra aprender ucraniano e é mesmo, mas só o ucraniano, porque as dublagens são feitas em ucraniano, de fato, sem traços do russo. Apesar desta decepção com os filmes, os desenhos tem uma boa dublagem e já assisti Tarzan, Hércules e Era d Gelo; • A tarifa do ônibus, ao meu ver, é bem barata, e custaria uns 50 centavos, se fizéssemos a conversão. Os ucranianos usam ônibus pra ir de um lugar que fica 6 quarteirões longe de onde eles estão e, reclamam que o preço do ônibus é caro. Na primeira caminhada que fiz pela cidade, assustei ao pegar o ônibus e descer menos de 5 minutos depois. Isto é algo que no Brasil nunca faríamos, a não ser se fosse com bilhete único [e já esperando que ia demorar uma meia hora]; • Esta observação diz respeito, eu acho, à toda Europa [me confirmem aí]. Só eu não sabia que não há água de graça em locais públicos? Por aqui, não há água gratuita e quase nenhum banheiro gratuito também. Quando passei pelo aeroporto da Alemanha, o banheiro era gratuito, mas não tinha bebedouro, não. Para terminar o discurso de hoje, a opinião geral é a de que o choque cultural é muito forte, estando nos pequenos detalhes, como a embalagem dos produtos ser impossível de ler e você começar a achar que o romeno é que muito próximo do português, até nas médias e grandes coisas, como preparar errado aquele produto que você não conseguiu ler a embalagem e o próprio frio que está fazendo. 
Escrito por Alguém perambulando... às 05h50
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