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    Templates da Lua

    21/11/2009

    O não-estar onde se poderia estar

    Ele poderia estar em outro lugar, amontoado e festivo.
    É sufocante passar o dia todo calado, como se este o mastigasse e no pôr do sol continuasse a ruminar.
    Não está lá, mas é claro que poderia estar. “E de que adiantaria? Diga–me”, ele pensa. É o mesmo retrato pintado numa paisagem diferente. As pessoas vão passando e não se sabe mais nada delas e nem elas sabiam dele. É simples: seguiram seu caminho. Ou só ele seguiu, e continuou infeliz.
    As pessoas estavam ali ou aça, perguntando-lhe se iria, mas nada existiu durante seis longos meses. E a situação se resume não pela falta de vontade de estar em lugares bons, mas por faltar qualquer relação, que, se existiu, não existe mais. Talvez nunca tenha existido. Ele. Ou as relações.
    É só uma festa. Não deveria haver alguma razão para ir: a boa companhia, a diversão, um momento para relaxar? “Deveria”, é o que lhe exausta pensar. Contudo também seria necessária uma boa companhia, que não se acabasse por aí, como as todas que relações que pensara ter tido: todas acabadas.
    Por outro lado, há o desejo de estar onde se poderia estar só pra poder estar com pessoas que nem se sabe muito, mas que pensava que cuidavam dele melhor, davam-lhe maiores sorrisos e maior importância, apesar de ele nem conhecê-las muito.
    Talvez seja só o masoquismo. Para realizar todo esse ciclo novamente.


    Escrito por Alguém perambulando... às 17h34
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    26/10/2009

    Receita de sorvete desesperado

    Ingredientes:

    1 caixa de creme de leite

    4 colheres (sopa) de achocolatado em pó

    1 (colher) de leite condensado

     

    Modo de fazer:

    Coloque o creme de leite num recipiente. Acrescente as quatro colheres de achocolatado em pó (recomendo que sejam duas bem cheias e duas rasas) e a colher de leite condensado. Misture bem para não deixar empelotar. Deixe no freezer por mais uma hora ou até endurecer.

     

    A minha receita eu fiz com meia caixa de creme de leite [ou seja, fiz pela metade], porque era o que tinha sobrado de uma outra arte na cozinha.

    Achei que era uma boa pra não jogar o que tinha sobrado no lixo. E é uma boa pra quem ficar desesperado por um doce.

     

    Créditos pra Nádia, que me disse pra fazer essa mistureba [embora eu tenha transformado em sorvete e não em creme].

    Quem viu, disse que parecia sorvete de chocolate :D


    Escrito por Alguém perambulando... às 10h37
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    23/09/2009

    Será que alguém mais já pensou nisso?

    Eu não sei vocês, mas o cumprimento que mais gosto de ouvir é “Bom dia”. Não sei se é porque eu costumo acordar cedo, mas parece que no começo do dia  as pessoas ainda sabem como ser simpáticas, ao contrário do que acontece já a noite, quando nem sequer cumprimentamos mais ninguém.
    De manhã, além de um “Bom dia!”, às vezes você ainda consegue um  sorriso. Ou quando sai para fazer seu caminho habitual da casa-trabalho pode até sair dizendo o tal cumprimento pras pessoas que varrem suas calçadas, passeiam com os cachorros ou andam para a aula.
    É meio idiota, mas pelo menos deixa o meu dia mais alegre.
    Por isso talvez seja melhor ir fazer compras de manhã: os vendedores acabaram de chegar e ainda estão com a barriga cheia. Além disso, mesmo para os mais mau-humorados e para aqueles que  nem aprenderam a responder um ‘bom dia’ me dá um certo prazer poder alfinetar e ver suas cara de interrogação, simplesmente porque posso ir lá e dizer [ BOM DIA *sorrisão*] e seguir com o meu bom [ou não tão bom] dia..

    Só por curiosidade, o Goodmorning está no Trending Topics do Twitter.


    Escrito por Alguém perambulando... às 13h04
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    14/09/2009

    Pés imóveis

    A sensação vem devagar, transformando-se, de repente, esgotando-me com plenitude. Todos aqueles movimentos, simples, sim, contudo completos e capazes de completar alguém. E aquela melodia que faz não um só pé balançar, que faz todo o meu corpo querer sair na ponta dos pés e no ritmo, captando as vibrações e os olhares, sobretudo o meu próprio olhar pro meu mundo.
    É difícil explicar.
    Só que toda vez é assim. É ver uma boa apresentação de dança e minha cabeça gira com a música. E faz com que eu queira sair rodopiando, numa espécie de libertação que dura o mesmo período que uma coreografia. Podem ser 5 minutos ou pode ser o que parece inesgotável, as danças mais belas que já vi, uma hora de encanto, um infinito de bem-estar.
    E aí vem a nostalgia por não dançar há uns 4 anos e por ter dançado por quase 10.
    E a vontade de mudar isso.


    Escrito por Alguém perambulando... às 13h09
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    29/08/2009

    Horas e mais horas e mais horas.

    Nunca se matricule em 10 horas de aulas seguidas [das 8 às 18] se você for um humano normal. Eu descobri que não sou.

     


    Escrito por Alguém perambulando... às 10h12
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    19/08/2009

    Irmãs

    A rotina foi embora e agora quer voltar. Mas parece mais que me deparo com alguma irmã não reconhecida desta do que com a própria: está mudada. Irreconhecível a não ser quando se olha as pequenas marcas formando um ângulo de 90 graus em seus olhos. Ela não pede nada, nem espera feito algum. Não exige manhãs madrugadoras, conforma-se por só estar lá, talvez espreitando algum vacilo pra me abocanhar.

    Não reconheço. Soa sem perspectiva e largado.

    E essa rotina não quero.


    Escrito por Alguém perambulando... às 14h24
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    10/08/2009

    Experimentando...

    Soa calmo e passageiro,
    o riso.
    Vem por inteiro,
    corpo e alma, unos, efêmero.
    Extremo-me gargalhando.
    Entrego todo o gelo.

     

    Copo seco, sóbrio,
    é como a morte,
    sufocando mesmo sem tomar cianureto.
    Um choro, um grito nauseante.
    Tudo no silêncio extremo
    no instante em cheio embalsamando
    a feição viva, a tal risada.

     

    Treme com espasmos,
    estraçalha sua dor.
    Saboreia a antítese
    de se doar em momentos avessos.

     


    Escrito por Alguém perambulando... às 15h28
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    04/08/2009

    Voltando...

    Começando o sexto semestre em uma das faculdades mais reconhecidas do país num dos cursos mais desconhecidos do país (embora em nível mundial, o inverso aconteça).
    Nesse período todo já vi e participei de várias ações: assembléias de estudantes bizarras, discussões em cursos que aparentemente não tinham nada a ver com o meu; já fiquei horas sentada e jogando papo pro ar, almocei promoções, experimentei banheiros inutilizáveis; fui a algumas festas, fiquei 36 horas sem dormir; tentei organizar coisas e chamar pessoas; desmaiei na frente do centro acadêmico; já me escondi em outros institutos; corri no meio do campus de madrugada; fiquei horas em diversas filas e peguei ônibus só para passear.
    Vi também os mais variados tipos de pessoas, dos nerds ao que não tomam banho; da decadência nerd aos vegetarianos que se tornaram carnívoros; dos que não sabem onde estão [mas permanecem] e dos que sabem que estão no lugar errado [e se vão]. Vi os que procuravam seu lugar, os que se tornavam maiores, os que só ocupavam uma vaga num curso. Houve os que esperaram, os que esperaram mais e os que logo deram o mergulho [afogando-se, algumas vezes]. Vale ressaltar que estou no grupo do devir desesperado, desde o início, mas que espera até o fim.
    Vim atravessando, tendo crises, remoendo crises, deixando-as de lado, cavando-as, esperando a tal da coisa que nunca veio. É a reta final, um ano e meio que resta e é como se nada mais houvesse para esperar, diria o ditado que a água está batendo no traseiro.
    O tempo, longo, agora se desfaz em perguntas, temas para iniciações, monografias. Ou, simples assim, desfaz-se em nada, pela falta de idéia costurada com o precipício da ciência [e da vida “real” e do emprego e da falta de experiência em qualquer coisa].
    O dito cujo corre quando tudo que fiz foi acreditar que tudo seria diferente e que opções se formariam. Já a espera faz com que sonhos sejam abandonados depois de construídos e que a frase “Ainda é cedo pra tentar” seja dita tardiamente. É o sexto semestre adentrando num mundo conhecido, mas sem saber o que fazer.


    Escrito por Alguém perambulando... às 14h22
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    12/07/2009

    Preferi dar um tempo do que escrever arrastada pela correnteza. Volto em breve [ou não].


    Escrito por Alguém perambulando... às 13h24
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    26/06/2009

    Guia turística

    E foi num 12 de junho o tal passeio pela cidade pequena ilustrada por cinco ruas paralelas. Percorreram o centro cheio de pernas e sacolas, além de poluição e muitos motores ligados incessantemente.

    Na cidade, ela sem nem se lembrar de alguma igreja pra mostrar, caminharam de um lado para o outro: “Aqui mora meu parente; ali é aonde eu vinha quando criança; todo sábado sempre tem muitas pessoas acolá; meus amigos vivem a 3 quarteirões; logo ali sempre tem feira de domingo, blábláblá”.

    Por sempre ter evitado experiências introdutórias, como “Oi, prazer, eu sou Anete”, por nunca ter feito muitos passeios com guias e por ter fugido dos mesmos sempre que existiam [só pra explorar sozinha], terminou acanhada mostrando cinco ruas que eram sua vida, seus vinte anos, com uma incerteza de criança quando perguntada onde mora ou quantos anos tem.

    Pareceu um passeio, de certo modo, com as mãos atadas, mesmo que as pudesse sentir geladas ao segurar o copo de milk-shake. Ao mesmo tempo, com as mãos e o corpo livres, agarrados a uma sensação psicodélica e (?) linear.

    Mostrando caminhos com os quais nunca se importava, percebendo que significavam algo na vida já meio nômade, meio interrogação, meio sem-lugar que andar vivendo.

    E assim, seguiram de mãos dadas até o ônibus, ela com a sensação crescente de “É isso. E agora?”, já ele, não posso dizer o que pensava.

    É tão difícil mostrar pedacinhos da gente.


    Escrito por Alguém perambulando... às 10h09
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    13/06/2009

    357

    Hoje. Levantei, tomei banho, senti frio, pus a meia, a saia, a blusa, a blusa, a blusa, a bota, fiz a cama, tomei leite, fiz a mala, peguei a comida, abri o portão. Três.
    O mundo estava lá, com seus 6 graus, no local em que “moro” há três meses. Andei, atravessei, esperei, andei meio círculo, cheguei. Vinte e cinco.
    Entre outras coisas, lámen, esperanças de idas e não-vindas obtidas, algumas palavras, um bom jeito, o computador, a saída, o abraço. Dezoito.
    Abri o portão, andei, atravessei, esperei, andei meio círculo, cheguei. Trinta e cinco.
    Subi, desci, parei, li, li, li. Encontrei, sentei, fiquei no corredor, armário, chaves, bolsa, abri, caneta. Subi, ventou, encolhi, bati os dentes, sonhei, a música tocou, sentu, alarmei, controlei. Sessenta e sete.
    Foi anoitecendo, o mesmo lugar, o dia todo cerzido em um lugar, tremendo. Doze.
    Bolachei, cumprimentei, felicitei, sorri, olhei, olhei, indaguei, caminhei, encontrei. Onze.
    A multidão vinha para fora, olhei, olhei, caminhei, caí, olhei, juntei, alegrei, perguntei, esqueci, irei, acalmei. Cento e vinte e seis.
    E o dia foi acabando, andei meio círculo, esperei, esperei, atravessei, andei, cheguei.
    Não foram trezentas e cinqüenta e sete pessoas, mas talvez tenham sido. Afinal, quantas passam e a gente nunca repara?
    Costumo andar andar e pensar: qual é a história dessa menina aqui do meu lado? O que será que ele está pensando, parado ali? Qual é a causa que te aflige? Por que esse rosto triste? Ela gosta muito daquela. Por que brigam? Por que aquela cara brava? Ando ando ando. Por que essa expressão? É bonita.
    Olho, sentada ali.
    Trezentas e cinqüenta histórias para saber. Sem saber nenhuma, mas sem nunca parar de andar.

    [feito há mais de uma semana, faltando inspiração]


    Escrito por Alguém perambulando... às 16h11
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    24/05/2009

    Vazio...

    Sentindo que estou dentro de um daqueles cilindros enormes de construção. Sentada e oca, sem saber o porquê.


    Escrito por Alguém perambulando... às 14h29
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    12/05/2009

    Quando algumas coisas terminam (ou começam a desmoronar), mesmo que você já saiba disso

    [também conhecido como “Mais uma reclamação de quem vos escreve”]

    Eu tenho o péssimo hábito de encarar tudo como ruína, antes até da coisa acontecer. Mas é quieto e contínuo o processo de apartamento, a ponto de algumas vezes não se ver e, de outras, de se deixar acontecer, cabisbaixo ou com um sorriso falso no rosto.
    De qualquer modo, há algumas coisas que machucam e outras com as quais o costume lida, lendo cada frase nunca escrita.
    Chega um momento em que não se tem nada, nunca se teve, só uma pequena ilusão [a depender do seu nível de descontentamento], e mesmo consciente disso, deseja-se a volta, o retorno do que se foi.
    Eu quero de volta!
    Eu quero as cartas que recebia e quero também uma presença aqui ou ali; quero alguma satisfação e um bom momento deitada no sofá sossegada; quero leite e achocolatado batidos no liquidificador; quero alguns amigos de volta, sem cobrança de troco e com novos fios que nos unissem; além disso, quero caminhadas por aí e com um doce no final, mas também quero um dia de chuva com pipoca e abraços quentes e todas as amarguras azedas adocicadas. E pra não faltar, eu quero o choro de volta, quero os laços desatados atados de novo e todo os meus planos pisados despezados.
    Quero de volta.
    E quero de volta, porque, mesmo acostumada, nunca quero me acostumar.
    E porque mutila quando algo se vai de você.


    Escrito por Alguém perambulando... às 17h10
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    03/05/2009

    Narrativas de dor

    Quando a gente se machuca e é criança, parece que a causa-efeito sempre é mais emocionante.
    E aí, desse jeito sem graça, eu me machuco pra não deixar as coisas caírem.
    Talvez dependa da escolha dos verbos:
    E digo que fui tentar deter um pacote de bolacha recheada de brigadeiro de se suicidar, isto é, de pular do segundo andar do balcão. Mas foi quando ele pulou e levou consigo sua companheira sabor morango.
    Rasguei meu braço à toa.


    Escrito por Alguém perambulando... às 15h29
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    20/04/2009

    Decepção

    Hoje de manhã, enquanto caminhava, observava sua sombra:

    - Parece ter 15 anos.

    Mas não tenho mais.


    Escrito por Alguém perambulando... às 16h30
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