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Hoje de manhã, enquanto caminhava, observava sua sombra:
- Parece ter 15 anos.
Mas não tenho mais.
Hoje é dia de Páscoa. Ok, aham, legal.
Cheguei numa fase que esses feriados se tornaram simplesmente... feriados.
Embora eu goste da noção "mais amor nas nossas vidas", também acho que amor é todo dia.
Hoje de manhã, logo depois de ter trabalhado com chocolate e ter comido sonho no café da manhã, fui abrir meus ovos de Páscoa [a propósito, esse ano eu ganhei 3, algo que não acontecia há, pelo menos, uns 5 anos].
Não sei se por causa do recente estudo de 120 páginas sobre a metáfora na linguagem, mas não são os ovos de chocolate as coisinhas mais intrigantes e perturbadoras do sossego de alguém?
Gosto de chocolate, em barra, bombom, ovo, sorvete. Mas o ovo, huuuuum, sempre tem aquela coisa de saber o que tem dentro. Pode ser a decepção de só ter um bombom, a alegria de ver que tem muito mais do que vc esperava, a frustração de ser maciço ou de ter muitos bombons e da casca ser toda decorada.
Como eu ia dizendo, depois dos afazeres, fui lá pegar o chocolate. E tirar da embalagem e desfazer o laço e me surpreender e é TÃO maravilhoso.
É um pouco como a vida, mesmo que às vezes você saiba que dentro do ovo vai ter um brinquedinho besta. Ou, se for um ovo de verdade, sempre pode estar podre ou bom. Mas muitas vezes, traz grandes momentos.
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Não é que eu não ande pensando, mas chega um momento ou outro que o pensar insiste em não vir, pelo menos não do modo que eu queria: despreocupado, devagar – e em turbilhões -, divagante.
Divagar. Será possível não ter tempo nem para deixar os pensamentos soltos?
Não ter tempo. Ando ouvindo cada vez mais essa negativa e me preocupo, desespero-me por não ser possível tornar-me assim e, ao mesmo tempo, por me aproximar de tal máxima.
Os dias têm ido de maneira escapável, esvaindo de modo imperceptível e sendo aproveitados por vezes, de modos desiguais, com caras nos livros, com peso na grama, com sono no calor, com xingamentos e árvores, com choros e comida, com risadas e carro, com solidão e medo, com bolinhos e companheirismo, com tristeza e falta de perspectiva.
Eu poderia escrever sobre mil coisas, mais de um texto por dia, todavia os acontecimentos se sobrepõem de modo acelerado e quero dizer que nem espaço/tempo pra saboreá-los ando tendo – e note aqui que ando enquanto tenho, ou seja, muitas ações ao mesmo tempo.
E em meio a tudo isso, enquanto penso, reparo em bons momentos que não notei e em conversas, ações e olhares que valem a pena por eu ter visto[ou sentido] acontecerem.
Então sinto falta de pensar.
Sinto uma carência por poder sentar e me deixar levar, ou ouvir música em boa companhia sem ter que achar que alguém vai me chamar, ou ainda, saber que qualquer dessas coisas não vá me dar um prejuízo grande.
Sinto falta de poder respirar e de ter menos preocupações.

[Monet]