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E foi num 12 de junho o tal passeio pela cidade pequena ilustrada por cinco ruas paralelas. Percorreram o centro cheio de pernas e sacolas, além de poluição e muitos motores ligados incessantemente.
Na cidade, ela sem nem se lembrar de alguma igreja pra mostrar, caminharam de um lado para o outro: “Aqui mora meu parente; ali é aonde eu vinha quando criança; todo sábado sempre tem muitas pessoas acolá; meus amigos vivem a 3 quarteirões; logo ali sempre tem feira de domingo, blábláblá”.
Por sempre ter evitado experiências introdutórias, como “Oi, prazer, eu sou Anete”, por nunca ter feito muitos passeios com guias e por ter fugido dos mesmos sempre que existiam [só pra explorar sozinha], terminou acanhada mostrando cinco ruas que eram sua vida, seus vinte anos, com uma incerteza de criança quando perguntada onde mora ou quantos anos tem.
Pareceu um passeio, de certo modo, com as mãos atadas, mesmo que as pudesse sentir geladas ao segurar o copo de milk-shake. Ao mesmo tempo, com as mãos e o corpo livres, agarrados a uma sensação psicodélica e (?) linear.
Mostrando caminhos com os quais nunca se importava, percebendo que significavam algo na vida já meio nômade, meio interrogação, meio sem-lugar que andar vivendo.
E assim, seguiram de mãos dadas até o ônibus, ela com a sensação crescente de “É isso. E agora?”, já ele, não posso dizer o que pensava.
É tão difícil mostrar pedacinhos da gente.

Hoje. Levantei, tomei banho, senti frio, pus a meia, a saia, a blusa, a blusa, a blusa, a bota, fiz a cama, tomei leite, fiz a mala, peguei a comida, abri o portão. Três.
O mundo estava lá, com seus 6 graus, no local em que “moro” há três meses. Andei, atravessei, esperei, andei meio círculo, cheguei. Vinte e cinco.
Entre outras coisas, lámen, esperanças de idas e não-vindas obtidas, algumas palavras, um bom jeito, o computador, a saída, o abraço. Dezoito.
Abri o portão, andei, atravessei, esperei, andei meio círculo, cheguei. Trinta e cinco.
Subi, desci, parei, li, li, li. Encontrei, sentei, fiquei no corredor, armário, chaves, bolsa, abri, caneta. Subi, ventou, encolhi, bati os dentes, sonhei, a música tocou, sentu, alarmei, controlei. Sessenta e sete.
Foi anoitecendo, o mesmo lugar, o dia todo cerzido em um lugar, tremendo. Doze.
Bolachei, cumprimentei, felicitei, sorri, olhei, olhei, indaguei, caminhei, encontrei. Onze.
A multidão vinha para fora, olhei, olhei, caminhei, caí, olhei, juntei, alegrei, perguntei, esqueci, irei, acalmei. Cento e vinte e seis.
E o dia foi acabando, andei meio círculo, esperei, esperei, atravessei, andei, cheguei.
Não foram trezentas e cinqüenta e sete pessoas, mas talvez tenham sido. Afinal, quantas passam e a gente nunca repara?
Costumo andar andar e pensar: qual é a história dessa menina aqui do meu lado? O que será que ele está pensando, parado ali? Qual é a causa que te aflige? Por que esse rosto triste? Ela gosta muito daquela. Por que brigam? Por que aquela cara brava? Ando ando ando. Por que essa expressão? É bonita.
Olho, sentada ali.
Trezentas e cinqüenta histórias para saber. Sem saber nenhuma, mas sem nunca parar de andar.
[feito há mais de uma semana, faltando inspiração]