

BRASIL, Mulher, Livros, Cinema e vídeo
Nunca se matricule em 10 horas de aulas seguidas [das 8 às 18] se você for um humano normal. Eu descobri que não sou.
A rotina foi embora e agora quer voltar. Mas parece mais que me deparo com alguma irmã não reconhecida desta do que com a própria: está mudada. Irreconhecível a não ser quando se olha as pequenas marcas formando um ângulo de 90 graus em seus olhos. Ela não pede nada, nem espera feito algum. Não exige manhãs madrugadoras, conforma-se por só estar lá, talvez espreitando algum vacilo pra me abocanhar.
Não reconheço. Soa sem perspectiva e largado.
E essa rotina não quero.
Soa calmo e passageiro,
o riso.
Vem por inteiro,
corpo e alma, unos, efêmero.
Extremo-me gargalhando.
Entrego todo o gelo.
Copo seco, sóbrio,
é como a morte,
sufocando mesmo sem tomar cianureto.
Um choro, um grito nauseante.
Tudo no silêncio extremo
no instante em cheio embalsamando
a feição viva, a tal risada.
Treme com espasmos,
estraçalha sua dor.
Saboreia a antítese
de se doar em momentos avessos.

Começando o sexto semestre em uma das faculdades mais reconhecidas do país num dos cursos mais desconhecidos do país (embora em nível mundial, o inverso aconteça).
Nesse período todo já vi e participei de várias ações: assembléias de estudantes bizarras, discussões em cursos que aparentemente não tinham nada a ver com o meu; já fiquei horas sentada e jogando papo pro ar, almocei promoções, experimentei banheiros inutilizáveis; fui a algumas festas, fiquei 36 horas sem dormir; tentei organizar coisas e chamar pessoas; desmaiei na frente do centro acadêmico; já me escondi em outros institutos; corri no meio do campus de madrugada; fiquei horas em diversas filas e peguei ônibus só para passear.
Vi também os mais variados tipos de pessoas, dos nerds ao que não tomam banho; da decadência nerd aos vegetarianos que se tornaram carnívoros; dos que não sabem onde estão [mas permanecem] e dos que sabem que estão no lugar errado [e se vão]. Vi os que procuravam seu lugar, os que se tornavam maiores, os que só ocupavam uma vaga num curso. Houve os que esperaram, os que esperaram mais e os que logo deram o mergulho [afogando-se, algumas vezes]. Vale ressaltar que estou no grupo do devir desesperado, desde o início, mas que espera até o fim.
Vim atravessando, tendo crises, remoendo crises, deixando-as de lado, cavando-as, esperando a tal da coisa que nunca veio. É a reta final, um ano e meio que resta e é como se nada mais houvesse para esperar, diria o ditado que a água está batendo no traseiro.
O tempo, longo, agora se desfaz em perguntas, temas para iniciações, monografias. Ou, simples assim, desfaz-se em nada, pela falta de idéia costurada com o precipício da ciência [e da vida “real” e do emprego e da falta de experiência em qualquer coisa].
O dito cujo corre quando tudo que fiz foi acreditar que tudo seria diferente e que opções se formariam. Já a espera faz com que sonhos sejam abandonados depois de construídos e que a frase “Ainda é cedo pra tentar” seja dita tardiamente. É o sexto semestre adentrando num mundo conhecido, mas sem saber o que fazer.